quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os artistas sob o foco dos seus próprios ollhos

«Todos os retratos que são pintados com sentimento, são retratos do artista, não do modelo é acidental… não é ele… mas sim o pintor que, na tela colorida, se revela.»




             



Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray

domingo, 27 de dezembro de 2009

ONDJAKI

NDALU DE ALMEIDA ( ONDJAKI )
Poeta, artista plástico y actor. Nació en Luanda, Angola em 1977. Cursa acutalmente en Portugal. Licenciatura en Sociología.
O livro Os da Minha Rua, editado pela Caminho, valeu ao escritor angolano Ondjaki o Grande Prémio de Conto «Camilo Castelo Branco» 2007, no valor de cinco mil euros, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. Ondjaki acaba de lançar AvóDezanove e o Segredo do Soviético, também pela Caminho.


ESPERAR O VENTO...

II
cresce a manhã...
essa aquarela bruta
que cobra ao mundo os seus
nocturnos frios.
cresço de manhã...
a minha ramela emana
nua
o cobre do mundo
os seus amarelos tons.
de manhã
Deus distribui certeiramente
os seus castigos.
odores
cores
amores...
(...)
Deus:
também eu desejo
esse castigo azul...


III

não sei dizer este azul que encaminha
os céus...
sei respirá-lo intenso
na vibração densa, descompassada
dos olhos que se entornam nele...
não sei morrer noutra cor.
antes esta tonalidade
assim-breve
assim-escorregadia
desintegrando a noite
reinventando o dia.
e eu...
eu não sei escrever este azul
que dá luz á manhã...


IV

há no silêncio do ar
uma paz autorizada...
um murmúrio lírico
no renascimento
de cada momento.
o pássaro brinca entre uma nota de assobio
e um sopro de vento.
a borboleta adormece — encantada.
(...)
para haver paz
há que caminhar silêncios.


V

quero o aconchego
da sombra.
da árvore.
a sua frescura
a sua candura.
quero o seu caule
sólido
a maciez da sua seiva
a dureza da sua raiz.
quero a paz das suas folhas
deitadas
deleitadas
adormecendo — na paz do tempo.


VI

no cântico longínquo das nuvens
cresce uma andorinha branca.
deforma-se
o mundo
para uma nova densidade.
sorri
a primeira gota de chuva.
este cântico das nuvens é
um bramido suave
que adormece os olhos
os olhares
dos bichos.
a andorinha cessa o seu voar.
a nuvem cessa o seu cantar.
a gota de chuva
densa
despede-se do mundo...
e voa!


VII

só na ilusão da asa
o ser se sonha.
seu degredo. sua afluência.
quantas vezes
sem consciência.
só no silêncio da asa
o ser se sonha.
pouco enredo. pouca ciência.
raras vezes
em abstinência.
só na solidão da asa
o ser se silencia.

XII – vento

és a casa dos pássaros.
és o não-chão. nem tremor nem homens nem calor. és o
aéreo que encandeia as nuvens e, num passo gêmeo, as
conduz.
és sedução genuína nessa textura que usas no mar. os
pássaros te freqüentam erráticos porque também és o
eco da poesia — a estranha densidade de nada pisar.,
o não silencioso.
o silencioso.
és o deserto que chove sobre o mundo
Entrar no mar,
Gosto de molhar
Sol amarelo
Céu azul papel
A bem com a vida
Chego de futuro
Onde vai dar
Areia branca
A água azul do mar
Que me consola
É o sol
É de manhã
É no pensamento
A bem com a vida
É entrar no mar
É desejo sem fim
É entrar no mar
É entrar no amar.

                                                   RoxaWel

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O edifício do Hot Clube ardeu esta madrugada.


O incêndio que atingiu esta madrugada o prédio do Hot na praça da Alegria deixou as instalações inutilizáveis. A cave onde funciona o clube ficou inundada com a água dos bombeiros.
Com sessenta anos de idade e 48m2.
Por ele passaram monstros como Count Basie, Dexter Gordon e Sarah Vaughn. Será que os partidários deste antigo clube, que concebeu gerações, ficaram sem o seu recanto!?...
Por se tratar de uma situação de emergência, a EGEAC, a estrutura da Câmara de Lisboa que gere o Cinema São Jorge admite albergar o Hot Clube de Portugal temporariamente naquela sala de cinema.