segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os artistas sob o foco dos seus próprios ollhos

«Todos os retratos que são pintados com sentimento, são retratos do artista, não do modelo é acidental… não é ele… mas sim o pintor que, na tela colorida, se revela.»




             



Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray

domingo, 27 de dezembro de 2009

ONDJAKI

NDALU DE ALMEIDA ( ONDJAKI )
Poeta, artista plástico y actor. Nació en Luanda, Angola em 1977. Cursa acutalmente en Portugal. Licenciatura en Sociología.
O livro Os da Minha Rua, editado pela Caminho, valeu ao escritor angolano Ondjaki o Grande Prémio de Conto «Camilo Castelo Branco» 2007, no valor de cinco mil euros, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. Ondjaki acaba de lançar AvóDezanove e o Segredo do Soviético, também pela Caminho.


ESPERAR O VENTO...

II
cresce a manhã...
essa aquarela bruta
que cobra ao mundo os seus
nocturnos frios.
cresço de manhã...
a minha ramela emana
nua
o cobre do mundo
os seus amarelos tons.
de manhã
Deus distribui certeiramente
os seus castigos.
odores
cores
amores...
(...)
Deus:
também eu desejo
esse castigo azul...


III

não sei dizer este azul que encaminha
os céus...
sei respirá-lo intenso
na vibração densa, descompassada
dos olhos que se entornam nele...
não sei morrer noutra cor.
antes esta tonalidade
assim-breve
assim-escorregadia
desintegrando a noite
reinventando o dia.
e eu...
eu não sei escrever este azul
que dá luz á manhã...


IV

há no silêncio do ar
uma paz autorizada...
um murmúrio lírico
no renascimento
de cada momento.
o pássaro brinca entre uma nota de assobio
e um sopro de vento.
a borboleta adormece — encantada.
(...)
para haver paz
há que caminhar silêncios.


V

quero o aconchego
da sombra.
da árvore.
a sua frescura
a sua candura.
quero o seu caule
sólido
a maciez da sua seiva
a dureza da sua raiz.
quero a paz das suas folhas
deitadas
deleitadas
adormecendo — na paz do tempo.


VI

no cântico longínquo das nuvens
cresce uma andorinha branca.
deforma-se
o mundo
para uma nova densidade.
sorri
a primeira gota de chuva.
este cântico das nuvens é
um bramido suave
que adormece os olhos
os olhares
dos bichos.
a andorinha cessa o seu voar.
a nuvem cessa o seu cantar.
a gota de chuva
densa
despede-se do mundo...
e voa!


VII

só na ilusão da asa
o ser se sonha.
seu degredo. sua afluência.
quantas vezes
sem consciência.
só no silêncio da asa
o ser se sonha.
pouco enredo. pouca ciência.
raras vezes
em abstinência.
só na solidão da asa
o ser se silencia.

XII – vento

és a casa dos pássaros.
és o não-chão. nem tremor nem homens nem calor. és o
aéreo que encandeia as nuvens e, num passo gêmeo, as
conduz.
és sedução genuína nessa textura que usas no mar. os
pássaros te freqüentam erráticos porque também és o
eco da poesia — a estranha densidade de nada pisar.,
o não silencioso.
o silencioso.
és o deserto que chove sobre o mundo
Entrar no mar,
Gosto de molhar
Sol amarelo
Céu azul papel
A bem com a vida
Chego de futuro
Onde vai dar
Areia branca
A água azul do mar
Que me consola
É o sol
É de manhã
É no pensamento
A bem com a vida
É entrar no mar
É desejo sem fim
É entrar no mar
É entrar no amar.

                                                   RoxaWel

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O edifício do Hot Clube ardeu esta madrugada.


O incêndio que atingiu esta madrugada o prédio do Hot na praça da Alegria deixou as instalações inutilizáveis. A cave onde funciona o clube ficou inundada com a água dos bombeiros.
Com sessenta anos de idade e 48m2.
Por ele passaram monstros como Count Basie, Dexter Gordon e Sarah Vaughn. Será que os partidários deste antigo clube, que concebeu gerações, ficaram sem o seu recanto!?...
Por se tratar de uma situação de emergência, a EGEAC, a estrutura da Câmara de Lisboa que gere o Cinema São Jorge admite albergar o Hot Clube de Portugal temporariamente naquela sala de cinema.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

   O aquecimento global



não é um fenômeno natural, mas um problema criado pelos homens. Qualquer pequena acha de madeira, cada gota de óleo e gás que os seres humanos queimam são lançados na atmosfera e contribuem para as mudanças climáticas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Para:
Mª dos Caracóis e Isabel Andreia
Depois da azáfama dos trabalhos da escola, sem efeitos quânticos, passo só a adquirir energia em quantidades discretas, numa nova fórmula de matéria, até então desconhecida propriedade do meu ser. Vou finalmente relaxar na minha interacção com o mundo exterior…daí um grande abraço de saudades trsocas Roxa

quinta-feira, 29 de outubro de 2009




A Noite Rimada
Pela serra ao luar
ia um menino sozinho


sem sono pra se deitar.




Ia o menino a pensar

porque seria ele só

sem sono pra se deitar.



Ia o menino a pensar

que há tanto por pensar

e a cidade a descansar.




Ia o menino a pensar

porque seria ele só

sem sono pra se deitar.




Quem dorme sem ter pensado

deve ter sono emprestado

não é sono bem ganhado.




Ia o menino a pensar

como poder arranjar

muita força pra pensar.




Ia o menino a arranjar

muita força pra pensar

o próprio sonho ganhar


Almada Negreiros por Elsa Noronha

quinta-feira, 15 de outubro de 2009



     Tenho saudades, saudades do futuro e do tempo ...     

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

FERNANDO PESSOA

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa





domingo, 13 de setembro de 2009

Miguel Torga

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha,
(São Martinho de Anta, Vila Real, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995)
foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

9.9.9


"Os Livros que estou a ler" com Clara Pinto Correia


Clara Pinto Correia vai ser a próxima convidada do ciclo de palestras "Os Livros que estou a ler", no dia 15 de Setembro, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa.

domingo, 6 de setembro de 2009

Morreu o pintor João Vieira, 1934-2009

Com 75 anos, João Vieira faleceu (05 Set 2009), vítima de complicações depois de uma operação ao coração realizada ontem no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.


Nascido em Vidago, Trás-os-Montes, em 1934, João Vieira ingressou em 1951 na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou os dois primeiros anos do curso de pintura.



“Embora gostasse de música, a pintura era a vida de João Vieira”
Luiz Carvalho